quinta-feira, 25 de maio de 2017

      Esses dias um amigo meu veio falar comigo. Me contou que a namorada ia se mudar, e ele estava com muita raiva por causa disso porque a menina não havia contado á ele que raramente parava muito tempo em uma cidade. Enquanto ele despejava xingamentos, palavrões, eu pensava como é engraçado o jeito que cada um reage à perda.
Tem gente que fica explodindo de raiva, de ódio, não admite. Tem gente que esconde, abriga, guarda pra si bem lá no fundo e tenta a todo custo se mostrar indiferente com o que houve. E outras pessoas (eu) choram, se desesperam, enlouquecem e não se imaginam mais vivendo.
   
      Na minha opinião, as duas primeiras reações são uma válvula de escape da última, porque as pessoas que tem raiva e as que agem como se nada tivesse acontecido não querem transparecer que o amor mexeu com elas, sabe? Que a pessoa significava tanto que elas mal respiram agora, que não vêem mais sentido, não dormem bem por dias.
A perda de um amor verdadeiro, mesmo que não-recíproco, é uma das coisas que mais revelam a verdadeira personalidade de alguém.
   
     Eles acham que não percebemos como suas expressões automaticamente se transformam quando ouvem o nome dela(e), mas são coisas notáveis pra quem quiser ver. O término é um desafio que quase todo mundo enfrenta pelo menos uma vez na vida, e para aqueles que se armam contra as dores e tristezas: você não precisa mentir para si mesmo toda hora, se permita chorar e sentir as emoções.

Amar não é um erro, mas sofrer é uma consequência.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

     Costumava pensar que, se existisse alguma fórmula mágica de voltar ao passado e não fazer todas as coisas das quais me arrependo, eu seria a cobaia perfeita para o primeiro teste. Meus arrependimentos sempre foram muito claros em minha mente, e eu sempre quis saber como seriam as coisas se os erros que cometi, já não existissem mais. Mas é que sou humana.
Agir impulsivamente é natural, o impulso é parente da influência, que mexe diretamente em nossas ações, relações, palavras, pensamentos, vontades. 
     Mas eu quero falar que meus erros deixaram de lembrança na mesinha da sala, quando você resolveu que já era hora de pular do barco. Fiquei meses pensando naquele bilhete, no que eu havia feito, as coisas que tinha dito pra você, as tentativas de fazer você ficar, o tanto que corri atrás, e eu me arrependi. Eu me arrependi de ter cometido tantos erros, mas principalmente, me arrependi de ter desperdiçado tanto tempo com você. Eu refletia em meus pensamentos "desperdício, desperdício, desperdício!", até que... será?

E aí que eu percebi que, não. 
Eu não tinha me desperdiçado em você, eu tinha aprendido.
Eu tinha aprendido a não me esforçar tanto pra aceitar seus defeitos, porque se é pra ser, o esforço tem que vir de ambos os lados. Eu aprendi que deixar totalmente a própria vida de lado pra viver pro outro, não é certo.  

     Nós somos indivíduos, cada um com seu jeito de pensar e agir, nós não estamos grudados.
Eu aprendi que um relacionamento não é como estar em um cárcere privado, com direito á uma só visita. Que é ter alguém contigo, não alguém para ti. Alguém pra sonhar junto, e não pra pôr pedras no caminho dos seus sonhos. 

É querer ver alguém feliz, independente se a razão tiver ou não a ver com você. 

Eu errei, errei tanto que, agora eu sei.
Tudo que eu aprendi vai me direcionar.
Eu sou minha.


quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Não dá pra restaurar o sistema de alguém de volta aos padrões de fábrica

     Ele não tinha o jeito que eu queria. Não que isso seja um problema, pois todo mundo tem uma personalidade diferente, o que as vezes destaca a pessoa no meio de um montão de gente com quem eu já esbarrei nas esquinas da vida.
O real problema é que ele não tinha tanta graça. 
Não no sentido de ser engraçado, mas no sentido de não animar o meu dia, não me fazer ver cor na vida mesmo quando eu não queria sair da cama pra vivê-la. 
      Era atencioso, legal, gentil e amoroso, mas você sabe que é preciso algo mais, algo que te ligue com a pessoa, e que faça com que a ideia de passar a vida sem acordar com esse alguém do lado, te revire o estômago e te dê um nervosismo ansioso, de como quem se imagina sem abrigo na passada de um tornado categoria 5. 
     Ele foi bom em ser bom comigo, mas faltava alguma pecinha, sabe? Aquela atração magnética que me faria grudar nele, e passar horas no conforto daquele abraço. Faltava isso. E isso é mais que essencial. O problema é que não dá pra fazer alguém ser o que não é, não dá pra restaurar alguém pros padrões de fábrica e rezar pra que a pessoa volte com a carga contrária à sua.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

As marcas que ela deixou em mim

 
      Foram tantas, moço, mal sei por onde começar.
A primeira marca me fez ir querer conhecê-la, o olhar que fascinava a quem visse, "aquela lá tem quem quiser na mão" pensei, e depois de algumas saídas pela cidade e papo jogado fora, ela me tinha. "Não penso em compromisso sério" ela disse, e eu entendi, claro. Ah, moço, de sério não teve nada, teve tanto riso que parecia até sitcom. E o jeito que ela me fazia sentir? Como se todos os baques que levei da vida até hoje me trouxessem pra viver aqueles momentos, como se eu merecesse um presente do destino pra afagar minha agonia e minha necessidade de ser compreendido, e aí ela apareceu do nada e me revirou, me fez sentir vivo.
      As marcas.
Foi marca de batom escuro na minha camisa pólo, marca de unha comprida nas costas, marca de espinha mal espremida de uma quarta de noite quando ela cismou que aquela coisa tava muito feia na minha testa. Foi marca de caneta colorida no mapa mundi: Austrália, Irlanda, Patagônia e mais um monte de lugares, moço, mas acabamos indo só até a cidade vizinha visitar a tia dela que tava doente.
Foi marca de vinho no meu jeans velho e marca de expressão de tanto que eu sorri naquele tempo que ela marcou em mim a mais singela felicidade, moço.
      E aí, em meio à o que eu jurava que seria eterno, ela me disse que precisava de espaço, que não retribuía esse amor que eu sentia. E assim que me dei conta da ilusão que havia criado, desmoronei em tanta tristeza que até conseguia sentir meus pedaços se esvaindo pelo ar.
Ela marcou meus filmes favoritos, as músicas que mais gosto (que hoje quando ouço, me torturam), marcou seu nome com um carimbo de ferro em brasa no meu coração. Eu nem posso mais ir ao meu bar favorito porque sempre vejo algo que parece ser o fantasma dela na mesa que sempre sentávamos. Já faz um tempo e ela ainda marca presença em cada sonho que eu tenho.
E, moço, ainda dói tanto que tenho medo que alguém venha se marcar em mim outra vez.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

     
   
      Vou ter que falar: vai doer. Quando a gente começa com os relacionamentos, muitas vezes caímos num poço de ilusão e imaginamos que vai dar tudo certo, que a pessoa vai ser recíproca, e moldamos um ser totalmente perfeito aos nossos olhos, e aí está, o amor da nossa vida.
Mas deixa eu te contar, pode não ser bem assim. 
Quanto mais cedo você formar a ideia de que perfeição não existe, e que o amor pode machucar, mais cedo você vai entender de que assim é a vida, e não vai ficar preso aos "porques" de as coisas não terem saído como imaginado. 
       Deixa eu falar, meu amigo: vai ter rasteira, pé na bunda, mentiras, desconsideração, vai faltar reciprocidade, e vai doer. Sabe porquê? Porque quando a gente ama, a gente não recebe nenhuma garantia que o outro vai amar de volta, e até quando você achar alguém que te ame, você pode não amar de volta também. 
       Vou dizer que você vai magoar pessoas sem querer, mas também vou dizer que isso vai te fazer crescer, pois você vai acompanhar o processo curativo das feridas que vão te causar, e você vai acumular tudo aí. E vai poder escrever sobre a dor do amor pra quem ainda tá começando a amar.

O amor nos relacionamentos de hoje em dia

       Desculpa desde já, mas tive que vir falar como o chamado "amor" nos tempos atuais critica quem cai fora de relacionamentos ruins e desgastantes, e faz a pessoa ser alguém totalmente desprezível por simplesmente terminar um relacionamento que não estava indo pra frente, apesar de existir um sentimento forte ali. Desde quando amar significa suportar viver em uma relação horrível?

O amor não faz você chorar sozinho no fim do dia, e sim, se não tem o menor jeito, precisamos pôr um ponto e continuar a viver, pelo amor de Deus.

       Amar não é se prender ao caos, aos gritos de raiva do outro, não é ter que aguentar alguém dizendo o que você deve vestir, como deve agir. Você realmente acha que essa pessoa te ama? Não, ela está te controlando e impondo poder sobre você, mas tudo bem né, porque o amor é assim hoje em dia.

     Desistir de uma relação é difícil, mas temos que colocar SEMPRE a nossa felicidade em primeiro lugar, e se não estávamos feliz com alguém, não era porque não amávamos a pessoa, e sim porque ali não estava mais sendo um lugar que nos fazia bem.
As pessoas querem mandar no amor dos outros, ditar regras, e isso é o cúmulo.

Desistir do seu amor é não desistir de si próprio, e se permitir encontrar a felicidade em qualquer outro lugar.

domingo, 19 de junho de 2016

Querendo ou não, falta.

Eu sei que isso te falta. Sei que te falta alguém pra ficar boba quando chega mensagem, falta alguém no teu sofá nos sábados à noite, pra fazer cafuné e ficar abraçada. Sei que te falta aquele all star surrado que ele usava sempre, e aquele moletom dele que ficava grande demais pra você.
 Te falta alguém pra te fazer sorrir de verdade, alguém que te faça sentir daquele jeito que ele fazia, que você nunca soube explicar. Te falta beijar na chuva, conversar sobre o mundo e tudo que existe ou não fora dele, te falta jogar Twister com alguém, e alguém pra ficar com torcicolo depois, com você.

Sei que te falta porque você pensa nisso, não precisa negar, não pra mim.

Te falta olhar pra novas pessoas e se apaixonar outra vez, te falta uma mão pra segurar na volta do trabalho, na volta do curso, e até pra ir na padaria da esquina, meu bem. Te falta tanto que você só queria isso agora, ontem, antes de ontem, e você sabe que vai querer amanhã.
Porque te falta, querendo ou não.

Me falta.